As professoras Montserrat Moreno e Genoveva Sastre, ambas da Universidade de Barcelona, falaram sobre amor e educação em uma palestra ministrada no auditório da FE-USP (Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo), com mediação da professora Valéria Arantes.
"Amor, cooperação e conflito" foi o tema inicial. A professora Montserrat mostrou que, ao acreditar que o amor é um sentimento universal, podemos cair no erro de achar que os seres humanos amam de maneira igual. A apresentação da professora da Universidade de Barcelona me fez pensar o quão relativo é esse "complexo de sentimentos", como ela o chamou.
Acho que nunca havia parado para refletir que o amor (assim como muitos conceitos que acredito verdadeiros e únicos) é, na verdade, uma construção cultural. O meu amor não é igual ao de um africano ou de um inglês. Quando muda a cultura, muda a forma de pensar o amor.
O que temos em comum _não apenas seres humanos, mas outros animais também_ é uma pulsão pela vida, um instinto cooperativo e altruísta que permite que a vida exista até hoje. Montserrat exemplifica sua teoria com a evolução das bactérias procarióticas, que surgiram há milhões e anos e só permaneceram na terra porque têm um comportamento cooperativo.
Na segunda parte da palestra, a professora Genoveva falou sobre "Como construímos universos" e a ideia romantizada que temos do amor. A apresentação da pesquisadora incluiu um estudo sobre conflitos amorosos que foi realizado em sua universidade.
Por meio de situações empíricas, os entrevistados tinham a tarefa de organizar os elementos das situações de conflito. Segundo a professora, aprender a organizar as experiências é o ponto central da educação. "Uma educação ética deve ter como eixo central as relações interpessoais", disse.
Ao fim da palestra, saí com a impressão de que precisava repensar todos os conceitos que tenho como certos e redimensioná-los de acordo com o contexto em que estão inseridos.
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