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Aula 6 (4/4) - Ponto de Mutação

O filme Ponto de Mutação (Mindwalk, 1990), de Bernt Amadeus Capra, foi o tema da sexta aula do curso. O longa-metragem, estrelado por Liv Ullmann, Sam Waterston e John Heard, é baseado no livro homônimo do físico austríaco Fritjof Capra.

No enredo, um político, um escritor e uma cientista norte-americanos se encontram em um castelo medieval francês, localizado no Monte Saint Michel, e passam a discutir o que ela chama de pensamento ecológico, que se opõe à visão cartesiana do mundo, e a crise de percepção, pela qual, diz a cientista, a raça humana está passando.

Segundo a teoria defendida pela personagem, usamos tanto a metáfora do relógio, de que o ser humano funciona como uma máquina, que pode ser estudada em partes para se ver o todo, que não olhamos mais para o todo. Os problemas do mundo são vistos isoladamente e, muitas vezes, a conexão entre eles é esquecida.

A temática da mudança do mundo é algo que está muito presente na mídia atualmente. Devido a alteração do paradigma de analógico para digital, o marketing das empresas já entendeu que a comunicação que valia para o passado não tem mais espaço atualmente. São inúmeras propagandas dizendo que o mundo mudou, como esta criada pela agência Africa para o banco Itaú.

Apesar do discurso de que somos agora mais abrangentes, mais inclusivos (e, para manter a temática do filme, por extensão, porque não dizer mais sistêmicos?) está em toda parte, mas na prática, como sabemos, essa mudança de pensamento não acontece.

Na verdade, o pensamento cartesiano de dividir em partes para explicar o todo está cada vez mais atual. Os profissionais estão muito mais especializado do que no passado.

Por exemplo, na área da saúde, aquela figura do médico familiar é quase inexistente. Hoje a cada sintoma o paciente procura um profissional diferente e não é mais avaliado como uma pessoa holística. Uma hora ele é um joelho, depois um calcanhar, mais tarde um sistema nervoso, depois uma cabeça... Ao não ser visto como um ser inteiro, ele é tratado por partes, o que muitas vezes se mostra insuficiente.

Na educação não é diferente. Os professores são especialistas em suas áreas. Apesar da tendência da interdisciplinaridade defendida na teoria pelo Estado, a realidade nas escolas públicas é muito diferente. "Cada um por si" costuma ser a máxima na sala dos professores. O mais curioso é que são esses próprios professores que reclamam da falta de apoio e o cooperação dos colegas.

E essa falta de visão sistêmica no corpo docente se extende aos alunos. Eles são vistos como pedaços. Na sala de aula, o aluno não é levado em conta como um ser completo. Sua visão de mundo, sua bagagem cultural, sua experiência familiar nunca é levada em conta.

Além dessa discussão principal, elementos secundários são importantes no filme e reforçam o discurso que defende a visão sistêmica do mundo. Jovens que brincam com os instrumentos de torturas e turistas que jogam lixo no chão são dois comportamentos humanos condenados pelos personagens e que mostram ao espectador como a visão partida causa problemas.

A frustração dos personagens em suas profissões é outro argumento favorável à visão holística do universo. Como se, por trabalhar com foco em uma parte, eles não conseguissem ser completos. As visões da cientista, do escritor e do político funcionam juntas, somadas.

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